segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Anúncios de serviços domésticos pagos em favores sexuais crescem em França

Uma nova tendência de anúncios de oferta de trabalhos domésticos, que dá sentido à expressão "pagamento em géneros", está a agitar os franceses. A história, contada no jornal francês, Le Parisien, conta como está a virar moda trocar certos serviços como arranjos de canalização ou traduções e explicações em casa, por favores sexuais.

Este tipo de anúncios têm aumentado nos últimos tempos (Enric Vives Rubio)






Serge, 62 anos, profissional liberal, lembra-se da primeira vez que alguém lhe propôs pagar os seus serviços de bricolage ao domicílio por sexo: "Coloquei um anúncio a oferecer-me para fazer certos trabalhos domésticos de bricolage. Recebi uma mensagem de uma senhora de 52 anos que perguntava se podia pagar-me com sexo. Aceitei e acabei por repetir em várias ocasiões", conta à reportagem do Le Parisien.



Nos últimos tempos multiplicaram-se os anúncios do tipo: "homem efectua tarefas domésticas a troco de mimos", ou "diplomado em ciência política dá aulas de francês, inglês, filosofia ou cultura geral a troco de carinhos de aluna maior de idade ou da mãe da aluna". E isto está a agitar a opinião pública francesa.



Eric, de 55 anos, contou também ao Le Parisien como começou a aceitar trabalhar a troco de sexo. "A primeira cliente procurava apenas uma aventura", confessa. As tarefas domésticas foram um pretexto para a aproximação. A segunda era uma senhora de 51 anos que vivia sozinha e que precisava mesmo de certas reparações domésticas mas que não tinha dinheiro para as pagar."



"Tudo se resume a oferecer prazer ao mesmo tempo que se presta um serviço", confessa outro adepto desta nova tendência de classificados de oferta de serviços. Chamado Pierre, com 56 anos. "Só quero encontrar pessoas agradáveis com quem possa partilhar experiências quentes, com respeito e algum humor".



Os anúncios chegam a primar pela descrição como um de um homem de 44 anos, "respeitável, higiene irrepreensível, não fumador, com 1,80 metros, 85 quilos", que troca reparações eléctricas por "mimos picantes".



Para sociólogos e antropólogos ouvidos pela reportagem do Le Parisien esta nova tendência nasce de tempos de crise e de precariedade financeira, de uma altura em que o corpo é visto como uma fonte possível de rendimento, em última análise. Mas apontam a prática como mais uma forma de prostituição, mais segura do que a rua e sem envolver dinheiro, mas prostituição na mesma.

Sem comentários: