terça-feira, 7 de abril de 2009

Recicle e reduza

Impressionante…..




 
Um Oceano de plástico

Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.


Foto do vórtex

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.



Ocean Plastic

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.



Tartaruga deformada por aro plástico

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'.
Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer
<http://scholar.google.com.br/scholar?q=Curtis+Ebbesmeyer&hl=pt-BR&lr=&btnG=Pesquisar&lr=> , em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.


Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave

Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.


Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.
  
Fontes: The Independent
<http://www.independent.co.uk/environment/the-worlds-rubbish-dump-a-garbage-tip-that-stretches-from-hawaii-to-japan-778016.html> , Greenpeace <http://www.greenpeace.org/international/campaigns/oceans/pollution/trash-vortex?MM_URL=http://oceans..greenpeace.org/en/our-oceans/pollution/trash-vortex> e Mindfully <http://www.mindfully.org/Plastic/Ocean/Moore-Trashed-PacificNov03.htm>


Ver estas coisas sempre serve para que repensemos os nossos valores e principalmente o nosso papel face ao meio ambiente, ou ao ambiente em que vivemos.
  
 
Se o Oceano Pacífico lhe soar demasiado remoto e abstracto, apesar das fotos, situe o fenómeno no Atlântico, no Mediterrâneo, no Tejo, no Douro... Talvez não esteja longe, se as coisas continuarem assim.

Antes de Reciclar, reduza!


Dicas ao acaso:


Compre menos - seja do que for!!!
Pela sua rica saúde, da do planeta e da sua bolsa - reflicta bem e constate se uma grande parte das suas aquisições não serão perfeitamente supérfluas (Ex: antes de dar roupas/ objectos a alguém ou a alguma instituição ou simplesmente atafulhar o fundo dos seus armários com elas, pense por uns instantes para que é que as adquiriu!);



Dê a máxima prioridade, nos seus consumos quotidianos mais básicos, a produtos (alimentares, de higiene pessoal, limpeza, etc) cuja embalagem seja menos volumosa e poluente.


Exemplos simples:


- sempre que possível beba água filtrada em vez de engarrafada e transporte-a de casa reutilizando as garrafas enquanto estas não estiverem deterioradas;

- apesar da legislação absurda que obriga a que as refeições 'take away' sejam embaladas em recipientes (plásticos...) do próprio estabelecimento, uma vez que muitos restaurantes passam ao lado desta regra sempre que possível utilize embalagens suas, que possa reutilizar.


- nas 'noites', reutilize os copos de cerveja ou outros, caso sejam de plástico, e sempre que possível peça copos de vidro que, por natureza, são reutilizáveis;


- se tiver por hábito andar com mochila ou similar, leve dentro dela sempre consigo um ou dois sacos (preferencialmente de pano, são mais resistentes e fáceis de lavar/reutilizar) por forma a poder prescindir pelo menos de alguns dos sacos que lhe são oferecidos/vendidos nas lojas para transporte das compras.




Lembre-se que, mesmo que sentida como 'gota de água no oceano' (tal como o voto nas urnas, entre milhões de outros) cada atitude/escolha sua de consumo (ou não consumo) TEM IMPLICAÇÕES económico-políticas, sendo das formas mais acessíveis, práticas e directas de intervenção enquanto cidadão consciente nas democracias de hoje;


Se tiver já desenvolvido a sua sensibilidade para estas temáticas, não se esqueça que a reciclagem é um processo válido mas com limites, é um paliativo que à custa de ser invocado pode acabar por se tornar um argumento (pseudo) legitimador de um consumo desordenado. Nem todos os detritos são recicláveis e o próprio processo de reciclagem consome bens vitais como a água doce. Donde, mais uma vez,


ANTES DE RECICLAR, REDUZA!  

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